O que é a ABA e como funciona na prática?

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma abordagem científica amplamente reconhecida e eficaz, de origem behaviorista, para trabalhar com quaisquer pessoas, mas muito usada para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Deficiência Intelectual (DI) e outros transtornos. Apesar de sua eficácia ser bem documentada, a ABA ainda é aindacercada por dúvidas e até desinformação. Aqui no EHC, nossa coordenadora pedagógica e psicopedagoga Nicoli está fazendo um curso de 900 horas para poder aplicar a ABA. Quaisquer pessoas, independentemente da formação profissional, podem fazer esse curso.

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O que é ABA e como ela se diferencia?

A ABA é uma área da Análise do Comportamento, que é a ciência que estuda como o ambiente influencia as ações humanas. Diferentemente do que alguns imaginam, a ABA não é um método único, mas um conjunto de estratégias baseadas em evidências que podem ser ajustadas conforme a necessidade de cada pessoa.

O grande diferencial da ABA está na análise científica do comportamento. Todas as intervenções são baseadas em dados coletados de forma rigorosa, permitindo ajustes contínuos para maximizar o aprendizado. Isso significa que a terapia é constantemente adaptada ao progresso individual de cada pessoa.

📊 “A intervenção baseada em ABA tem gráficos. O profissional analisa esses dados todo dia e ajusta a intervenção com base neles.” – Luce Lacerda

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Quando a ABA é indicada?

A ABA costuma ser aplicada de forma mais intensiva em crianças pequenas ou indivíduos com maiores desafios no desenvolvimento, organizando o ambiente de maneira estruturada para facilitar o aprendizado.

Para autistas mais velhos ou adultos com dificuldades mais sutis, outras abordagens baseadas nos mesmos princípios científicos podem ser mais apropriadas, como:

️ Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) – indicada para lidar com questões emocionais e sociais.

️ Terapia Dialético-Comportamental (DBT) – eficaz no manejo de emoções intensas e impulsividade.

️ Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) – foca no desenvolvimento da flexibilidade psicológica e aceitação das emoções.

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Como funciona uma intervenção ABA?

1. Avaliação inicial

O primeiro passo é entender as dificuldades e potencialidades da pessoa. Para isso, são usados protocolos de avaliação que ajudam a mapear habilidades e desafios, como o VB-MAPP (para linguagem), AFLS (para habilidades de vida diária) e Crafting Connections (para interações sociais).

2. Definição de objetivos

Com base na avaliação, a equipe e a família definem objetivos personalizados. Lacerda compartilha sua experiência com seu filho Benício para ilustrar esse processo: inicialmente, o foco da terapia era a fala, mas como esse desenvolvimento não ocorreu no tempo esperado, a prioridade passou a ser a autonomia no autocuidado.

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Principais estratégias da ABA

📌 Ensino por Tentativas Discretas (DTT – Discrete Trial Training)

Técnica estruturada, que envolve apresentar um estímulo, esperar uma resposta e aplicar uma consequência (reforço ou correção).

️ Exemplo: ensinar a diferenciar emoções com cartões ilustrados.

📌 Encadeamento de Respostas (Chaining)

Indicado para ensinar atividades que envolvem várias etapas.

️ Exemplo: ensinar a criança a preparar um achocolatado, detalhando cada passo do processo.

📌 Ensino Naturalístico (NET – Natural Environment Teaching)

Utiliza os interesses da criança para criar oportunidades naturais de aprendizado.

️ Exemplo: usar um brinquedo para ensinar cores ou conceitos como “minha vez” e “sua vez” em jogos.

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Onde a ABA pode ser aplicada?

A ABA não precisa acontecer apenas em clínicas. Na verdade, quanto mais o aprendizado for incorporado ao ambiente cotidiano, melhor será a generalização das habilidades.

🏡 Em casa – para fortalecer habilidades funcionais e sociais.

🏫 Na escola – auxiliando na adaptação e no aprendizado acadêmico.

🏢 No trabalho – promovendo maior autonomia profissional.

Infelizmente, ainda há resistência dos planos de saúde em cobrir intervenções domiciliares, mesmo quando são essenciais para o desenvolvimento da pessoa.

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Equipe envolvida na ABA

👩🏫 Analista do Comportamento – responsável pela avaliação e supervisão da intervenção.

🧑🏫 Acompanhante Terapêutico (AT) – aplica os programas no dia a dia.

📊 Registro de dados – essencial para garantir que as estratégias estão funcionando e para fazer ajustes baseados em evidências.

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Conclusão: ABA funciona?

Sim. A ABA é uma das abordagens com mais evidências científicas para auxiliar no desenvolvimento de pessoas com TEA e DI. Seu maior diferencial é a individualização: cada plano de intervenção é único e ajustado conforme a evolução da pessoa.

✅ “”Na minha perspectiva, você compara o indivíduo antes e depois da intervenção e mede o progresso. Isso é ABA – e é por isso que ela funciona tão bem.” – Luceno Lacerda

Se aplicada com responsabilidade e por profissionais qualificados, a ABA pode transformar vidas, promovendo mais independência e qualidade de vida para pessoas com autismo e outras condições do neurodesenvolvimento.

Fonte: Síntese de “O que é ABA e como ela funciona na prática?”

Luceno Lacerda, que é doutor em educação, pós-doutor em psicologia e especialista em autismo e práticas baseadas em evidências, se dedica a desmistificar a ABA e explicar como ela funciona na prática.

O Processo Formativo no EHC – Trilha BNCC e Competências Essenciais

Desde 2017, o Educandário Humberto de Campos (EHC) tem intensificado sua proposta formativa para educadores, de diversas formas e com diversos parceiros. Atualmente, a formação está focada no desenvolvimento contínuo de competências pedagógicas e na aplicação dos preceitos da BNCC (Base Nacional Comum Curricular). Esse processo, formalmente fortalecido pelo Plano Político Pedagógico (PPP) de 2018, por meio dos círculos pedagógicos, inclui trilhas de autoestudo, encontros presenciais mensais e práticas em sala de aula.

A Proposta Formativa no EHC

De acordo com a Adriana, coordenadora responsável por essa formação, as educadoras do EHC participam de um ciclo de estudo e prática pedagógica de maneira contínua. Elas se reúnem presencialmente uma vez por mês, sempre na primeira terça-feira, para compartilhar aprendizados e iniciar novas trilhas de estudo, baseadas em materiais selecionados.

“A proposta é o seguinte: nós nos reunimos uma vez por mês, e temos trilhas formativas com materiais disponíveis no YouTube e textos que faço a seleção. Cada semana, as professoras assistem aos vídeos, leem os textos e fazem anotações, aplicando as ideias em sala de aula. Durante o encontro presencial, partilhamos essas experiências, discutimos os aprendizados e já damos início à trilha do próximo mês.” – Adriana

Esse processo híbrido de autoestudo e aplicação prática permite que as professoras reflitam sobre suas metodologias e ajustem suas abordagens pedagógicas, promovendo uma educação alinhada com as diretrizes da BNCC.

Trilha Formativa 1: Competências Essenciais da BNCC

A primeira trilha formativa do ciclo teve como foco as competências essenciais da BNCC. Foram disponibilizados vídeos e textos que abordaram desde a educação infantil até o ensino fundamental, com uma atenção especial para a alfabetização e o letramento.

Aqui estão os principais vídeos utilizados na primeira trilha formativa:

Competências e Aprendizagens Essenciais – https://www.youtube.com/watch?v=J8BVh9so8cw

As 10 Competências da BNCC – https://www.youtube.com/watch?v=Z7QobESh0_0

Educação Infantil na BNCC – https://www.youtube.com/watch?v=e-T6OrPwWMM

Ensino Fundamental na BNCC – https://www.youtube.com/watch?v=FLbtbjbTLV4

Alfabetização e Letramento na BNCC – https://www.youtube.com/watch?v=SVLctY85zl4

Construção do Conhecimento em Sala de Aula – https://www.youtube.com/watch?v=6gU5kK6LrRw

Além dos vídeos, as educadoras tiveram acesso à BNCC organizada por série e disciplina para aprofundamento dos conteúdos:

BNCC por série e disciplina – https://www.tudosaladeaula.com/p/bncc.html#google_vignette

Alguns Resultados e Reflexões das Educadoras

Durante os encontros presenciais, as educadoras compartilharam as experiências vivenciadas ao aplicar o que aprenderam nas trilhas formativas. Esse momento de reflexão coletiva foi fundamental para identificar práticas que já estavam em consonância com a BNCC e para ajustar aspectos que poderiam ser melhorados.

“Foi muito importante perceber que muitas das nossas práticas já estavam alinhadas com a BNCC. Pude refinar essas iniciativas e me encorajar a experimentar novos jogos e métodos.” – Relato de uma das educadoras

Esse ciclo de reflexão e prática permitiu que as professoras fossem aprimorando continuamente suas abordagens pedagógicas, com base no feedback obtido tanto das trilhas de autoestudo quanto das discussões em grupo.

ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) no EHC

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma iniciativa global da ONU, foram um assertivo chamado para a ação, com o objetivo de promover a paz, a prosperidade e a proteção do planeta até 2030. No Educandário Humberto de Campos (EHC), esses objetivos foram abraçados como diretrizes incorporadas em nosso PPP e em algumas práticas educacionais, especialmente desde 2016, quando Alto Paraíso de Goiás – GO foi escolhida como cidade piloto para a implementação dos ODS. Relembre esse momento histórico para nossa comunidade aqui.

Desde então, o EHC tem se dedicado ainda mais a promover práticas que vão além da sala de aula, integrando o desenvolvimento sustentável, na medida de nossas possibilidades, na formação de nossos educandos. Um exemplo disso foi encarnado em nosso foco na agroecologia, diretamente ligada ao ODS 2, que visa a erradicação da fome e a promoção de uma agricultura sustentável. Nossa horta agroecológica é um laboratório vivo onde os estudantes aprendem sobre técnicas de cultivo que respeitam o meio ambiente, promovem a biodiversidade e asseguram a segurança alimentar. Essas práticas garantem alimentos saudáveis e ensinam nossos estudantes sobre a importância de um relacionamento harmonioso com a natureza. Você pode saber mais sobre nossa horta agroecológica e seu impacto na comunidade neste link.

Ademais, em consonância com o ODS 4, que visa garantir uma educação inclusiva e de qualidade, ao longo desses anos, o EHC tem se esforçado para desenvolver as competências necessárias para que todos os alunos possam alcançar seu pleno potencial em consonância com nosso compromisso com a educação integral, que significa, em termos de nosso PPP, que valorizamos as singularidades de cada estudante, adaptando nossas abordagens para assegurar que todos tenham as mesmas oportunidades de sucesso em diversos âmbitos da experiência humana. Um marco nesse processo foi o projeto de intercâmbio educador transformador de 2019, que sintetizou grande parte de nossos esforços iniciais para promover uma educação que para além de instruir, também visa transformar. Veja mais sobre esse projeto transformador aqui.

Outro aspecto crucial de nosso compromisso com os ODS é a exploração de formas sustentáveis de energia. Alinhando-se ao ODS 7, que visa assegurar o acesso confiável, sustentável e moderno à energia para todos, o EHC tem buscado incorporar energia solar desde essa época. Este é mais um exemplo de como estamos aplicando soluções locais para desafios globais, ao mesmo tempo em que educamos nossos alunos sobre a importância das energias renováveis e do uso responsável dos recursos naturais. Veja como estamos integrando a energia solar em nossas práticas neste exemplo.

Comunidade Educadora e Território do Bem Viver como Alicerces para uma Educação Transformadora

A integração dos conceitos de Comunidade Educadora e Território do Bem Viver forma a base para uma abordagem educacional profundamente transformadora. Esses conceitos são fundamentais para a construção de um projeto de vida que envolva todos os membros da comunidade escolar. Essa sinergia entre educação e vivência comunitária cria um ambiente onde o aprendizado transcende os limites da sala de aula, promovendo uma cultura de pertencimento, empoderamento e responsabilidade coletiva.

Comunidade Educadora: Educação Para Além da Escola

A Comunidade Educadora representa uma abordagem que expande o papel da escola, estendendo-o para além dos limites físicos. A escola, aqui, é vista como um centro dinâmico que interage de forma contínua com a vida comunitária, reconhecendo que a educação é um processo compartilhado. Nesse modelo, cada membro da comunidade — sejam pais, moradores ou líderes locais — tem um papel ativo na formação dos jovens, criando uma rede de aprendizado coletivo.

Essas interações entre escola e comunidade são reforçadas através de projetos educacionais que integram as experiências e saberes comunitários ao currículo escolar.

Exemplos de ações nesse sentido são as feiras (Saberes e Sabores da Roça e Feira Científico Cultural), os mutirões, as ações da Olimpíadade de Humanidades (IPEARTES/SEDUC), oficinas de práticas comunitárias (Aprender Fazendo) e a realiação de Projetos de Turma com temas comunitários que envolvem a participação dos moradores, valorizando o conhecimento local e promovendo uma identidade cultural forte entre os educandos. Ao reconhecer e valorizar as contribuições da comunidade, a escola fortalece o sentimento de pertencimento e engajamento dos estudantes.

Território do Bem Viver: Uma Nova Perspectiva de Desenvolvimento

O conceito de Território do Bem Viver propõe uma visão alternativa ao desenvolvimento tradicional, que integra as dimensões sociais, econômicas, culturais e ecológicas. Inspirado nas cosmovisões dos povos indígenas andinos, esse conceito promove uma abordagem holística e sustentável do desenvolvimento, buscando um equilíbrio entre as necessidades humanas e a preservação ambiental. O Bem Viver é materializado por meio de práticas que promovem a biodiversidade e a conservação dos recursos naturais, enquanto apoiam a autonomia e o empoderamento da comunidade local.

No EHC, esse conceito se manifesta em projetos como a disciplina de agroecologia, que ensina técnicas agrícolas sustentáveis, mas também promove uma compreensão mais profunda das interações entre os seres humanos e a natureza, a casa de sementes criolas que promove troca de sementes e resgate de sementes criolas importantes no desenvolvimento da região e o projeto comunidade que recicla que trabalha com educação ambiental a partir da gestão correta de resíduos sólidos. Essa perspectiva de desenvolvimento, centrada na sustentabilidade e na inclusão, explicita uma visão que valoriza tanto a preservação ambiental quanto a justiça social, promovendo uma sociedade mais equilibrada e solidária.