Uma Jornada pelo PPP do EHC

Breve Histórico

Em 2016, iniciou-se um processo de transformação educativa no Educandário Humberto de Campos (EHC), localizado em Alto Paraíso de Goiás. Este movimento foi impulsionado pela elaboração de uma proposta para a Secretaria de Estado de Educação de Goiás. Posteriormente, capitaneado pela incansável fraternista Valéria Ferreira e o grupo PRÓ-EHC, foi engendrada a base conceitual do atual Projeto Político-Pedagógico (PPP) do EHC que também bebeu da pedagogia espírita, além das contribuições das perspectivas de educação do campo, arte-educação e das pesquisas educacionais de Alessandra Marques Possebon para sua tese de doutoramento.

Objetivos e Princípios Fundamentais

O PPP do Educandário Humberto de Campos foi construído sobre o ideal de formar plenamente os educandos, integrando suas dimensões intelectual, pessoal, moral e social. Nossa visão é a de uma Comunidade Educadora, onde todos – educadores, estudantes, famílias e comunidade – participam ativamente do processo educacional. Acreditamos que a educação deve ser inclusiva, democrática e pautada em valores como respeito, responsabilidade, honestidade, solidariedade, afetividade, empatia e sustentabilidade.

A Importância da Educação do Campo

A Educação do Campo é um eixo central do nosso PPP. Ela reconhece a especificidade do contexto do campo e busca oferecer uma educação que dialogue com a realidade dos educandos, respeitando seus tempos, ritmos e saberes. No Educandário Humberto de Campos, a Educação do Campo se materializa através de práticas pedagógicas que valorizam a agricultura sustentável, a cultura local e a participação comunitária. Este enfoque promove a aprendizagem significativa e fortalece a identidade e a autonomia dos estudantes.

Transformações Pedagógicas

As transformações pedagógicas implementadas a partir de 2016 envolveram a capacitação de educadores e a adoção da pedagogia de projetos. A proposta de uma “Comunidade Educadora” foi central para o novo PPP, enfatizando a importância de integrar a educação com a vida comunitária. Esta abordagem buscou superar a visão convencional de educação restrita às salas de aula, promovendo um envolvimento mais amplo dos espaços comunitários e ambientes ao ar livre .

Contribuições Acadêmicas e Comunitárias

A tese de Alessandra Marques, que explora a dialética do educar e as práticas educativas transformadoras no EHC, foi fundamental para a consolidação do projeto educativo. Em 2017, educadores do EHC participaram de formações e visitas a projetos educacionais transformadores, como o Projeto Âncora em Cotia-SP, enriquecendo as práticas pedagógicas com novas perspectivas e métodos .

Desafios e Adaptações

A implementação do PPP enfrentou desafios significativos, especialmente no que diz respeito à comunicação e engajamento com a comunidade local. A gestão participativa e a formação contínua dos educadores foram essenciais para superar as adversidades e consolidar a proposta pedagógica. A introdução de atividades interdisciplinares e a promoção de projetos de arte-educação, sustentabilidade e práticas corporais foram algumas das estratégias adotadas para aproximar a prática educativa das bases teóricas do PPP .

Apesar das contradições e desafios, o PPP do EHC continua a evoluir, mantendo-se fiel aos princípios de educação integral, respeito aos saberes locais e desenvolvimento comunitário. A meta é formar cidadãos conscientes, críticos e capazes de contribuir para uma sociedade mais justa e sustentável, alinhando-se com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU .

Transformação e Renovação na Biblioteca Tia Romilda

A Biblioteca do Educandário Humberto de Campos sempre foi um pilar cultural em nossa comunidade rural, ofertando um vasto e diversificado acervo. Com o passar do tempo, desafios emergiram, especialmente relacionados à manutenção de um espaço tão amplo e à conservação dos livros, afetados pela umidade.

Em 2018, iniciamos um projeto de reestruturação. A decisão de reduzir o tamanho da biblioteca foi tomada para acomodar adequadamente os livros didáticos em novos espaços como as salas de aula e a Sala 13, equipadas com armários apropriados. Esse movimento preservou a saúde da nossa comunidade educativa e também otimizou o uso do espaço.

Durante 2019, o Espaço Luz passou por uma renovação completa, que incluiu a modernização de infraestruturas essenciais, como um novo contrapiso e piso, instalações elétricas totalmente novas, forro novo, nova iluminação, além da instalação de um novo sistema de alarme. Após esse processo a biblioteca foi rebatizada como Espaço Luz Tia Romilda, um tributo a figuras icônicas da nossa comunidade, que estiveram inclusive presentes à reinauguração em 2019 (Tia Romilda, Tio Andalécio e Lívia).

Foto: Sérgio Makari

Fabiano, nosso bibliotecário voluntário, iniciou seu trabalho voluntário na biblioteca há quatro anos, logo após se aposentar e trouxe um novo olhar para a organização dos livros. Com seu esforço, foi facilitado o acesso aos livros, que agora estão mais aglutinados por temas e autores, tornando a biblioteca um espaço ainda mais acolhedor e funcional. Ele observou também que o Espaço Luz Tia Romilda possuía muitos livros de temas pouco comuns em outras bibliotecas, como parapsicologia, ufologia e gastronomia, incluindo livros de dietas e receitas.

Assim, promoveu uma reorganização do acervo, separando os livros por áreas mais específicas como medicina e enfermagem, e também por religião, organizando títulos evangélicos, espíritas, entre outros. Além disso, ele etiquetou os livros com os nomes dos autores para facilitar o acesso. Fabiano considera que esta reorganização facilitará significativamente a busca dos usuários por materiais específicos na biblioteca.

Um contemplar dos quase 2 anos de Projeto Comunidade que Recicla

1. Histórico das Ações Sustentáveis na Escola e Comunidade

Ao longo dos anos, o Educandário Humberto de Campos e a comunidade Cidade da Fraternidade desenvolveram várias ações voltadas para melhorar a gestão de resíduos na comunidade.

No âmbito da II Olimpíada de Humanidades, em 2018, foi trabalhado esse tema e até mesmo a atividade da culminância, na forma de uma Cavalgada, focalizou nessa temática. Nesse sentido, houve esforços de recolhimento de lixo nas estradas, durante diversos dias que focalizavam a educação ambiental.

2. Início do Projeto de Gestão de Resíduos

Naquele momento, o Conselho Comunitário estava muito ativo, especialmente em relação ao problema do local onde se queimava o lixo da comunidade. Ali, surgiu uma proposta para os moradores apresentarem projetos que beneficiassem a comunidade, envolvendo eventos anteriores ou iniciativas novas. Nossa sugestão foi separar resíduos orgânicos em casa e encaminhá-los para Alto Paraíso.

Inicialmente, cada família separaria os resíduos, e quem pudesse, os levaria de carro. Para quem não tinha essa possibilidade, organizamos um local próximo à área coletiva, onde podiam depositar os resíduos para que, uma vez por semana, fossem levados de carro também.

Começamos a conscientização visitando residências, promovendo várias reuniões no Conselho e realizando uma reunião virtual com Luís, da Recicle Alto, que explicou sobre reciclagem e educação ambiental. Além disso, dialogamos com Cris, do Coletivo Permacultural, vereadora, para pensar em soluções para resíduos não recicláveis, um desafio pendente.

3. Implementações na Escola e Formações Iniciais

Esse foi o primeiro passo: conscientizar a comunidade. Posteriormente, foi aprovada a proposta no Conselho Comunitário para implementar oficialmente o projeto na Cidade da Fraternidade.

No início do ano, conversamos com a direção da escola, alinhando a ideia aos valores e projetos escolares. Utilizamos fundos provenientes do lucro do livro “Educador Transformador” para adquirir e instalar lixeiras na escola, além de implementar a separação de lixo na cozinha. Investimos esse dinheiro, que já pertencia ao Educandário.

Iniciamos com ações ambientais, capacitando os professores e desenvolvendo atividades em sala de aula. Também implementamos a substituição de materiais nocivos, como TNT, EVA e glitter, proibindo seu uso na escola, o que foi bem recebido pelas professoras.

4. Desenvolvimentos em 2023 e Perspectivas para 2024

Em 2023, demos continuidade ao processo com visitas à RecicleAlto para os professores, mantendo a parceria com a Ivonete e com a Jamile, realizando formações para os estudantes. Luiz ministrou palestras para o Fundamental II e para o Ensino Médio, e seguimos com o processo de reciclagem. No ano anterior, implantamos o minhocário e a composteira, supervisionados pelo Ensino Médio como laboratórios, um início em relação aos orgânicos. Houve oficinas para os professores sobre uso de materiais alternativos e uma consolidação do uso de materiais recicláveis na decoração da escola.

5. Projetos Futuros e Ampliação das Ações Educativas

Para o futuro, planejamos que todas as famílias separem o orgânico, tenham composteiras, transformem o espaço em um ambiente educativo mantido pelos estudantes, estabelecendo pontos de coleta pelo Assentamento e criando um local de reciclagem para que as pessoas possam trocar pela moeda solidária criada pela RecicleAlto e que pode ser utilizada em diversos comércios do município.

Já estamos em processo de construção desse espaço, discutido com a coordenação da comunidade Cidade da Fraternidade. Continuaremos com ações educativas, buscando transformações e promovendo uma reeducação constante. O IPEARTES tem sido um parceiro crucial na educação ambiental escolar, trazendo dinâmicas que abordam a questão dos resíduos, além das reflexões proporcionadas pela Olimpíada de Humanidades.

1ª Formatura do EHC – Reportagem da Voz da Fraternidade – Ano II – Nº03 -Jan/Fev/81

Era a primeira turma do EHC a se formar no que seria hoje equivalente ao Ensino Fundamental II, uma grande alegria registrada na Revista a Voz da Fraternidade. Acesse a repostagem completa aqui. Eis uma síntese do evento:

No dia 13 de dezembro de 1980, no refeitório coletivo “Mariazinha”, com início às 21:30 hs, ocorreu a cerimônia de colação de grau de 11 formandos do que seria hoje o Ensino Fundamental II.

Estavam presentes Lydio Diniz Henriques, João Pinto Rabelo e Benedito Miranda, os familiares dos estudantes e outras pessoas de Brasília.

A diretora do Educandário, à época, Romilda Rinco, lembrou a origem do EHC em um barraco de indaiá, em 1966, e sua evolução à época. Tudo ocorria ao longo de clima festivo e emocionante.

Os 11 formandos foram:

– CLEIDE GOMES ANISIO
– LIVIA RINCO
– RUTE SILVA MONTEIRO
– MARIA HELENA DE SOUZA TAVEIRA
– CESAR AUGUSTO FERREIRA
– MARCOS ANTÔNIO MOREIRA
– MARCOS AURELIO CRUZ SILVA
– WALDESINO BERNARDES PINTO
– WALDIVINO BERNARDES PINTO
– JOSE AUGUSTO SILVA BASTOS
– JACINTO SOARES DE OLIVEIRA