ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) no EHC

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), uma iniciativa global da ONU, foram um assertivo chamado para a ação, com o objetivo de promover a paz, a prosperidade e a proteção do planeta até 2030. No Educandário Humberto de Campos (EHC), esses objetivos foram abraçados como diretrizes incorporadas em nosso PPP e em algumas práticas educacionais, especialmente desde 2016, quando Alto Paraíso de Goiás – GO foi escolhida como cidade piloto para a implementação dos ODS. Relembre esse momento histórico para nossa comunidade aqui.

Desde então, o EHC tem se dedicado ainda mais a promover práticas que vão além da sala de aula, integrando o desenvolvimento sustentável, na medida de nossas possibilidades, na formação de nossos educandos. Um exemplo disso foi encarnado em nosso foco na agroecologia, diretamente ligada ao ODS 2, que visa a erradicação da fome e a promoção de uma agricultura sustentável. Nossa horta agroecológica é um laboratório vivo onde os estudantes aprendem sobre técnicas de cultivo que respeitam o meio ambiente, promovem a biodiversidade e asseguram a segurança alimentar. Essas práticas garantem alimentos saudáveis e ensinam nossos estudantes sobre a importância de um relacionamento harmonioso com a natureza. Você pode saber mais sobre nossa horta agroecológica e seu impacto na comunidade neste link.

Ademais, em consonância com o ODS 4, que visa garantir uma educação inclusiva e de qualidade, ao longo desses anos, o EHC tem se esforçado para desenvolver as competências necessárias para que todos os alunos possam alcançar seu pleno potencial em consonância com nosso compromisso com a educação integral, que significa, em termos de nosso PPP, que valorizamos as singularidades de cada estudante, adaptando nossas abordagens para assegurar que todos tenham as mesmas oportunidades de sucesso em diversos âmbitos da experiência humana. Um marco nesse processo foi o projeto de intercâmbio educador transformador de 2019, que sintetizou grande parte de nossos esforços iniciais para promover uma educação que para além de instruir, também visa transformar. Veja mais sobre esse projeto transformador aqui.

Outro aspecto crucial de nosso compromisso com os ODS é a exploração de formas sustentáveis de energia. Alinhando-se ao ODS 7, que visa assegurar o acesso confiável, sustentável e moderno à energia para todos, o EHC tem buscado incorporar energia solar desde essa época. Este é mais um exemplo de como estamos aplicando soluções locais para desafios globais, ao mesmo tempo em que educamos nossos alunos sobre a importância das energias renováveis e do uso responsável dos recursos naturais. Veja como estamos integrando a energia solar em nossas práticas neste exemplo.

Comunidade Educadora e Território do Bem Viver como Alicerces para uma Educação Transformadora

A integração dos conceitos de Comunidade Educadora e Território do Bem Viver forma a base para uma abordagem educacional profundamente transformadora. Esses conceitos são fundamentais para a construção de um projeto de vida que envolva todos os membros da comunidade escolar. Essa sinergia entre educação e vivência comunitária cria um ambiente onde o aprendizado transcende os limites da sala de aula, promovendo uma cultura de pertencimento, empoderamento e responsabilidade coletiva.

Comunidade Educadora: Educação Para Além da Escola

A Comunidade Educadora representa uma abordagem que expande o papel da escola, estendendo-o para além dos limites físicos. A escola, aqui, é vista como um centro dinâmico que interage de forma contínua com a vida comunitária, reconhecendo que a educação é um processo compartilhado. Nesse modelo, cada membro da comunidade — sejam pais, moradores ou líderes locais — tem um papel ativo na formação dos jovens, criando uma rede de aprendizado coletivo.

Essas interações entre escola e comunidade são reforçadas através de projetos educacionais que integram as experiências e saberes comunitários ao currículo escolar.

Exemplos de ações nesse sentido são as feiras (Saberes e Sabores da Roça e Feira Científico Cultural), os mutirões, as ações da Olimpíadade de Humanidades (IPEARTES/SEDUC), oficinas de práticas comunitárias (Aprender Fazendo) e a realiação de Projetos de Turma com temas comunitários que envolvem a participação dos moradores, valorizando o conhecimento local e promovendo uma identidade cultural forte entre os educandos. Ao reconhecer e valorizar as contribuições da comunidade, a escola fortalece o sentimento de pertencimento e engajamento dos estudantes.

Território do Bem Viver: Uma Nova Perspectiva de Desenvolvimento

O conceito de Território do Bem Viver propõe uma visão alternativa ao desenvolvimento tradicional, que integra as dimensões sociais, econômicas, culturais e ecológicas. Inspirado nas cosmovisões dos povos indígenas andinos, esse conceito promove uma abordagem holística e sustentável do desenvolvimento, buscando um equilíbrio entre as necessidades humanas e a preservação ambiental. O Bem Viver é materializado por meio de práticas que promovem a biodiversidade e a conservação dos recursos naturais, enquanto apoiam a autonomia e o empoderamento da comunidade local.

No EHC, esse conceito se manifesta em projetos como a disciplina de agroecologia, que ensina técnicas agrícolas sustentáveis, mas também promove uma compreensão mais profunda das interações entre os seres humanos e a natureza, a casa de sementes criolas que promove troca de sementes e resgate de sementes criolas importantes no desenvolvimento da região e o projeto comunidade que recicla que trabalha com educação ambiental a partir da gestão correta de resíduos sólidos. Essa perspectiva de desenvolvimento, centrada na sustentabilidade e na inclusão, explicita uma visão que valoriza tanto a preservação ambiental quanto a justiça social, promovendo uma sociedade mais equilibrada e solidária.

Construção de uma Avaliação de Viés Formativo: A Experiência do Educandário Humberto de Campos

Em nosso texto do blog do EHC de hoje, apresentamos, a seguir, uma síntese do artigo “Construção de uma avaliação de viés formativo: a experiência do Educandário Humberto de Campos em análise” de Beatriz Vasconcelos e Luana Almeida, publicado no periódico Horizontes em 2024, que detalha uma experiência coletiva ocorrida há cerca de seis anos em nossa escola em relação à construção de uma forma de avaliação alinhada à perspectiva formativa. Foi realizada uma análise documental do projeto político-pedagógico, relatórios de aprendizagem, atas do conselho de classe, registros de progresso dos estudantes e autoavaliações que destacou três movimentos principais: círculos pedagógicos e autoavaliação, tutoria e espaços dialogados na avaliação, e conselhos de classe coletivos.

Introdução

O artigo discutiu a necessidade de uma educação humanizadora que se comprometa com processos de avaliação formativa, enfatizando que esta deve ser uma ação coletiva envolvendo toda a escola, e não apenas uma responsabilidade individual dos professores em sala de aula. A avaliação formativa, segundo as autoras, vai além da simples medição de resultados; ela deve promover movimentos de reflexão que alimentem a formação integral dos alunos. Esta abordagem requer um compromisso menor com a mera quantificação de resultados e um foco maior na retroalimentação dos processos educativos, o que implica em ações concretas e tomadas de decisão baseadas nas avaliações.

Metodologia

A pesquisa foi conduzida aqui em nosso Educandário Humberto de Campos (EHC), escola localizada em Goiás, através de uma abordagem descritivo-qualitativa, utilizando tanto fontes bibliográficas quanto documentos fornecidos pela instituição, analisados a partir de acesso ao Google Drive da escola. A investigação se baseou na análise de diversos tipos de documentos, como o Projeto Político-Pedagógico (PPP), relatórios de aprendizagem, atas de reuniões do conselho de classe e registros de acompanhamento do progresso dos alunos. Além disso, foram utilizadas autoavaliações realizadas pelo coletivo educador. Essa metodologia permitiu uma compreensão profunda dos caminhos percorridos pela escola e das formas de avaliação estabelecidas.

Estrutura da Avaliação Formativa

A experiência do EHC explicitou a adoção de três principais instrumentos de documentação e avaliação:

  1. Círculos Pedagógicos e Autoavaliação: Encontros regulares para compartilhamento de experiências e planejamento, promovendo a formação contínua dos educadores e fortalecendo a colaboração e solidariedade entre eles. Os círculos pedagógicos ocorriam duas vezes por semana, permitindo que os educadores se organizassem em grupos de estudo e planejamento por fases de ensino. Essa estrutura promoveu um ambiente cooperativo e fomentou valores como solidariedade e respeito, em oposição à competitividade.
  2. Tutoria e Espaços Dialogados: Cada aluno tinha um tutor responsável pelo acompanhamento próximo e personalizado do seu processo de aprendizagem. A tutoria incluia a autoavaliação dos alunos e a leitura compartilhada dos relatórios de aprendizagem. Este dispositivo pedagógico foi fundamental para garantir que cada aluno recebesse atenção individualizada, promovendo seu desenvolvimento integral. A tutoria também envolveu o desenvolvimento de projetos de turma e a realização de avaliações coletivas semanais.
  3. Conselhos de Classe Coletivos: Reuniões bimestrais envolvendo professores, gestores e estudantes representantes para avaliar o progresso dos alunos e planejar ações de melhoria, promovendo a participação ativa de todos os envolvidos no processo educacional. Estes conselhos foram momentos importantes para levantar os pontos fortes e os desafios de cada turma, estabelecendo planos de ação individualizados para os alunos que necessitam de maior apoio.

Contexto e Desenvolvimento

O EHC, localizado na Cidade da Fraternidade, Alto Paraíso de Goiás, surgiu de um movimento para oferecer educação formal às crianças da região. Após a parceria com o Instituto de Pesquisa, Ensino e Extensão em Arte, Educação e Tecnologias Sustentáveis (IPEARTES), a escola passou por uma significativa transformação pedagógica. Esse processo foi marcado por intensas mudanças e adaptações, incluindo a ampliação do horário de funcionamento para um regime integral e o fortalecimento da cogestão com o IPEARTES. O objetivo principal dessas mudanças foi promover uma educação de qualidade alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, especialmente no que se refere à equidade e sustentabilidade.

Impactos da Avaliação Formativa

A avaliação no EHC foi além da medição de resultados acadêmicos, abrangendo também aspectos emocionais e comportamentais dos alunos. Esse enfoque foi essencial para a formação integral dos estudantes, promovendo um ambiente de aprendizagem mais inclusivo e participativo. A escola adotou um sistema de portfólios onde os alunos registraram diariamente suas experiências e aprendizagens, permitindo um acompanhamento contínuo de seu desenvolvimento. Esta prática fomentou a autoavaliação e a reflexão, tanto por parte dos alunos quanto dos educadores, criando um ciclo virtuoso de melhoria contínua.

Conclusão

Essa experiência mostrou que a avaliação formativa, quando implementada de forma coletiva e dialogada, pode transformar a cultura escolar, promovendo uma educação mais humanizadora e comprometida com o desenvolvimento integral dos alunos. A documentação e análise contínuas foram fundamentais para garantir a efetividade desse processo, evidenciando que a avaliação formativa foi um instrumento poderoso para a melhoria da qualidade da educação. Este caso exemplifica como a adoção de estratégias colaborativas e reflexivas pode potencializar a aprendizagem e a formação dos estudantes, preparando-os para serem agentes de mudança em suas comunidades e além.

Para uma leitura detalhada e aprofundada do artigo original, acesse o link: DOI: https://doi.org/10.24933/horizontes.v42i1.1745.

A História da Educação do Campo no Brasil e sua Implementação no Educandário Humberto de Campos

A Educação do Campo no Brasil é uma caminhada marcada por desafios e conquistas oriundas de profundas transformações sociais, políticas e econômicas do país. Desde a colonização, a educação nas áreas rurais foi frequentemente negligenciada em favor das regiões urbanas. No entanto, a partir das décadas de 1980 e 1990, graças à mobilização de movimentos sociais e da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), começaram a surgir políticas educacionais específicas voltadas para o campo .

Trajetória Histórica

A educação rural brasileira teve suas origens no período colonial, mas foi mencionada pela primeira vez na Constituição de 1934. A ausência de políticas efetivas e a exclusão das comunidades rurais resultaram em uma educação rural precária e desigual. A partir da década de 1980, movimentos sociais começaram a reivindicar uma educação inclusiva e contextualizada para as comunidades do campo.

A Conferência Nacional “Por uma Educação Básica do Campo”, realizada em Luziânia-GO, marcou um debate histórico sobre o futuro das escolas rurais brasileiras. No início do século 21, foram estabelecidas várias diretrizes e regulamentações para orientar as escolas do campo. Destacam-se as Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo de 2002 e a implementação da Pedagogia de Alternância em 2006 .

A Educação do Campo no Educandário Humberto de Campos

O Educandário Humberto de Campos (EHC), localizado em um assentamento rural dentro de uma área de preservação ambiental na Chapada dos Veadeiros, Goiás, adotou a Educação do Campo como um de seus princípios pedagógicos a partir de 2017. A escolha dessa abordagem foi motivada pela necessidade de alinhar a educação às especificidades do contexto rural e contribuir para o desenvolvimento sustentável do território ao qual o EHC atua.

Em 2018, o novo Projeto Político Pedagógico (PPP) do EHC foi elaborado, incorporando a Educação do Campo como um princípio pedagógico. Desde então, o EHC tem implementado diversas práticas pedagógicas compatíveis com essa abordagem, incluindo a capacitação de educadores, a criação de infraestrutura para aulas práticas de campo e a produção de tecnologias adequadas ao contexto do campo e a adequação dos horários em função do ritmo da vida no campo.

Desafios e Conquistas

Apesar dos avanços, a Educação do Campo, de um modo geral, enfrenta desafios significativos, como a precariedade da infraestrutura escolar, a falta de formação específica para os educadores e a dificuldade de acesso a tecnologias e recursos didáticos adequados. O êxodo rural e a falta de sucessores na agricultura familiar são problemas críticos que ameaçam a sustentabilidade das comunidades rurais. É significativo, porém, notar que a implementação de cursos superiores de Licenciaturas em Educação do Campo atuam no sentido de resolver, em parte, esses desafios.

Localmente, o EHC tem trabalhado para superar esses desafios por meio do fortalecimento de nossa comunidade educadora. Projetos como a Horta Comunitária, o Programa de Compostagem e as Feiras de Sementes e a Feira Saberes e Sabores da Roça são exemplos de como, a partir da escola, busca-se integrar a realidade local com o currículo escolar, fomentando uma educação socioambiental e a segurança alimentar, além de fortalecer os laços comunitários​​.

Impactos na Comunidade e no Meio Ambiente

A adoção da Educação do Campo e da Agroecologia traz inúmeros benefícios para a comunidade e o meio ambiente. Entre os impactos positivos estão a melhoria da qualidade do solo e da água, o aumento da biodiversidade e a redução do uso de agrotóxicos e fertilizantes químicos. Socialmente, fortalece a coesão comunitária, promove a segurança alimentar e valoriza os saberes locais e tradicionais. Economicamente, reduz os custos de produção agrícola e gera renda através da comercialização de produtos orgânicos .

Conclusão

A Educação do Campo, como paradigma educacional, representa uma abordagem inovadora e necessária para a formação de cidadãos conscientes e comprometidos com a sustentabilidade. O Educandário Humberto de Campos está comprometido em implementar práticas educativas que valorizam e respeitam as especificidades do campo, contribuindo para a construção de um futuro mais justo e sustentável para nossa população.